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Após quase 02 décadas, Aguinaldo Silva retorna ao Realismo Fantástico; Confira

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Aguinaldo Silva, autor de Porto dos Milagres. (Foto: Reprodução)

Aguinaldo Silva, autor de Porto dos Milagres. (Foto: Reprodução)

Já se passaram 17 anos desde a última novela da Globo na qual foi adotado o famoso realismo fantástico de Aguinaldo Silva, Porto dos Milagres. Agora, de volta em O Sétimo Guardião, a promessa é que teremos um novo modo de se ver esse gênero textual que traz muito suspense e elementos mágicos às telinhas.

Porto dos Milagres teve sua exibição em 2001, época na qual o país era bem diferente do atual. Em clima de virada de século, a internet ainda era apenas uma promessa nascendo. Os computadores eram primordiais e os atuais smartphones não passavam de ficção científica em filmes. Com isso, a televisão era o principal veículo de informações e entretenimento, parando o país inteiro a cada capítulo da novela das 21h – que ninguém queria perder.

Na época, a novela das seis em exibição era a memorável A Padroeira, de Walcyr Carrasco, que era seguida pela trama das sete, Um Anjo Caiu do Céu, de Antônio Calmon. Porto dos Milagres substituiu Laços de Família e foi substituída pela marcante O Clone, se consolidando como mais um dos sucessos de teledramaturgia da Globo.

Porto dos Milagres conta a trama política do casal de vigaristas Félix e Adma na cidade fictícia de de Porto dos Milagres, localizada na região do Recôncavo Baiano e formada por duas classes sociais distintas: a burguesia porto-milagrense, composta por famílias tradicionais que dominam a parte alta da cidade, e os moradores pobres do cais do porto, habitantes da parte baixa. A base da economia local é a pesca, mas a cidade é um dos principais portos de contrabando do país. A mitologia e religiosidade se fazem presentes na trama através da figura de Iemanjá, a rainha do mar – que é padroeira da cidade e, que de forma fantástica, exerce grande influência na vida dos habitantes.

 

Na época de exibição da novela, quando a Globo adotou o icônico slogan “A gente se vê por aqui”, o SBT era vice-líder isolado em audiência no país com sua programação de game shows e tramas – tempo no qual a Record não passava de coadjuvante e não incomodava Silvio Santos.

Quem comandava o país até então era Fernando Henrique Cardoso, momento no qual se tinha grande impressão de estabilidade econômica e no qual também foram consolidadas as políticas sociais. O ano também foi data e estreia do memorável A Grande Família, que durante suas 14 temporadas que somam 485 episódios, contava a engraçada e atrapalhada história da família Silva, suburbanos da Zona Norte do Rio de Janeiro que conviviam com suas diferenças e ajudavam uns aos outros a contornas as situações mais inusitadas.

Agora, o realismo fantástico volta em O Sétimo Guardião que, assinada por Aguinaldo Silva, conta a história dos Guardiões que controlam a dita “Fonte da riqueza” e conta com a presença de um humano que foi misteriosamente transformado em gato.

O Sétimo Guardião estreia na próxima segunda-feira, dia 12, às 21h na Rede Globo.

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Solange Holme
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Solange Holme

Os escritores afloram um cunho mediúnico forte que aflora em contatos diretos certos e retos….

Audiência da TV

Audiência da Globo despenca com homenagem à Stan Lee. Confira os consolidados desta segunda-feira, 12

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Stan Lee. (Foto: Reprodução)

Stan Lee. Confira os consolidados. (Foto: Reprodução)

Nesta segunda-feira, 12, a Tela Quente registrou 17,8 pontos na Grande São Paulo, com a exibição do filme O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, em homenagem a morte de Stan Lee. O longa marcou quase metade dos 33,3 pontos consolidados pela estreia de O Sétimo Guardião. Em comparação com as três semanas anteriores, a queda da sessão de filmes foi de 15% (em 15/10, a Tela Quente foi ao ar depois da série Assédio)

Cada ponto equivale a 71.855 domicílios na Grande SP.

Confira os consolidados de segunda-feira, 12 de novembro:

Média do dia (7h/0h): 15,3
Bom Dia São Paulo 8,7
Bom Dia Brasil 9,8
Mais Você 8,9
Bem Estar 7,5
Encontro 7,3
SP1 12,7
Globo Esporte 11,7
Jornal Hoje 11,1
Vídeo Show 8,5
Sessão da Tarde: Antes de Partir 9,8
Belíssima 13,4
Malhação 14,4
Espelho da Vida 18,0
SP2 22,1
O Tempo Não Para 26,0
Jornal Nacional 30,5
O Sétimo Guardião (estreia) 33,3
Tela Quente: O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro 17,8
Jornal da Globo 8,7
Conversa com Bial 5,2
Corujão: Minhas Mães e Meu Pai 4,2
Hora 1 4,6

Média do dia (7h/0h): 7,2
Primeiro Impacto 4,9
Bom Dia & Cia 6,7
Fofocalizando 6,2
Casos de Família 6,8
Teresa 5,8
Carrossel 6,6
SBT Brasil 7,6
Roda a Roda 11,1
As Aventuras de Poliana 13,4
Chiquititas 11,6
Programa do Ratinho 8,7
Conexão Repórter 6,7
The Noite 5,9
Roda a Roda (reapresentação) 5,1
SBT Notícias 4,4
SBT Notícias local 3,8

Média do dia (7h/0h): 8,2
Balanço Geral Manhã 2,1
São Paulo no Ar 4,3
Fala Brasil 4,9
Hoje em Dia 4,3
Minuto do Casamento 4,6
Balanço Geral SP 9,2
Bela a Feia (estreia) 8,4
Luz do Sol 6,8
Essas Mulheres 5,7
Cidade Alerta 11,9
A Terra Prometida 10,0
Jesus 10,2
Jornal da Record 8,1
A Fazenda 10 11,3
Programa do Porchat 4,2
Inteligência e Fé 1,1
Igreja Universal do Reino de Deus 0,4

Média do dia (7h/0h): 2,4
Jornal BandNews 0,5
Café com Jornal local 0,8
Café com Jornal – Edição Brasil 0,7
Sempre Bem 0,4
Cozinha do Bork 0,6
Verão Animado 0,3
Jogo Aberto 4,3
Os Donos da Bola 3,3
Melhor da Tarde local 2,0
Melhor da Tarde 2,2
Brasil Urgente 4,4
Brasil Urgente local 4,9
Jornal da Band 4,5
Minha Vida 1,4
Show da Fé 0,4
VídeoNews 1ª edição 0,4
1 Por Todos 0,5
Viagens ao Redor do Mundo 0,2
Jornal da Noite 0,2
Que Fim Levou? 0,2
Vídeos Incríveis 0,4
Efeito Carbonaro 0,7
Jogo Aberto (reapresentação) 0,2
Os Donos da Bola (reapresentação) 0,3
VídeoNews 2ª edição 0,2
Vídeos Incríveis II 0,2
Média do dia (7h/0h): 0,8
Te Peguei 0,4
AméricaShop 0,4
Te Peguei 0,3
Você na TV 0,8
Edu Guedes e Você by Sidney Oliveira 1,0
Igreja Universal do Reino de Deus 0,1
A Tarde É Sua 2,4
Terapia do Amor 0,4
Te Peguei 0,3
Tricotando 0,4
RedeTV! News 1,1
Show da Fé 0,2
TV Fama 1,2
Superpop 1,5
Leitura Dinâmica 0,8
Te Peguei 0,5

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Kevin Spacey e José Mayer: o legado de dois astros acusados de assédio

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Kevin Spacey era o astro de House of Cards até ser acusado de Assédio. (Foto: Reprodução)

Quem olha num primeiro momento dificilmente encontraria muitas coincidências entre o ator americano Kevin Spacey e o tupiniquim José Mayer. Além do fato de ambos atuarem, pouca semelhança se percebe nos trejeitos e escolhas artísticas para a construção de interpretação. Porém tudo mudou nos últimos anos e os dois passaram a ser uma espécie de espelho do outro, por conta da acusação de assédio

Isso porque, tanto um quanto o outro possuem sob suas costas um peso inimaginável, o de serem acusados de assédio por parte de profissionais que trabalharam nas mesmas produções que eles. Nos dois casos, a bombástica situação destruiu a carreira dos atores e os jogou no mais completo ostracismo.

A lembrança se deu neste momento por conta da discussão que retornou para os holofotes brasileiros graças a acusação que Sílvio Santos vem enfrentando da opinião público. Ele teria assediado a cantora Claudia Leitte durante o Teleton, ocorrido no último final de semana.

E, nos últimos anos, não tem havido espaço para casos assim sem que fiquem sem resposta. Uma onda de apoio tem se levantado e se colocado ao lado de vítimas que denunciam os assediadores e o final da história pode ser devastador para quem é acusado.

Kevin Spacey

O ator americano, vencedor do Oscar e um dos mais prestigiados de sua geração, viu sua vida acabar quando surgiu uma primeira denúncia de que, nos Anos 80, ele teria embebedado e assediado um jovem ator durante uma festa. A denúncia precedeu muitas outras que começaram a surgir. As vítimas se sentiram encorajadas e passaram a contar histórias sobre todas as épocas e por diversas produções que o ator teria trabalhado, sempre com constantes casos de assédio.

Diante da situação, Spacey viu sua vida profissional desmoronar quando a Netflix, gigante do streaming, anunciou sua demissão. Ele era a principal estrela da empresa e protagonista da série House of Cards. A produção se encaminhava para a última temporada que foi suspensa e toda reescrita sem a presença do ator que interpretava Frank Underwood.

Kevin confessou que, de fato, assediou pessoas e se assumiu como homossexual numa carta aberta enviada a Jornais americanos. No dia seguinte, ele se internou numa clínica de recuperação para pessoas com compulsão sexual e, desde então, nunca mais foi visto.

José Mayer

O ator brasileiro nunca gozou do mesmo prestígio do colega americano, todavia, sempre foi tratado como um dos mais talentosos artistas do país. Dono de uma incontável quantidade de personagens, quase todos possuíam um mesmo DNA: o machão que arrebatava corações de todas as mulheres da história.

Com trabalhos memoráveis neste tom, principalmente em Laços de Família, José Mayer sempre transmitiu uma virilidade que era impossível de ser notada em tela. Isso tudo acabou pouco depois de seu último trabalho, a novela A Lei do Amor.

Ele foi acusado por uma funcionária da Globo de assédio sexual e, em poucos dias, viu sua carreira desmoronar. Boa parte das atrizes, não apenas que contracenaram com ele na trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Vilari, mas de toda a emissora, iniciaram uma Campanha para que o ator fosse punido.

Intitulada “Mexeu com uma Mexeu com todas” a campanha varreu o Brasil e movimentou centenas de atrizes e até mesmo atores do Brasil. A Globo, para apagar o incêndio causado, decidiu afastar José Mayer e colocá-lo na geladeira, sem contudo rescindir seu contrato de trabalho.

Assim como Spacey, o ator enviou uma carta aberta aos jornais brasileiros pedindo desculpas e confessando que, de fato, havia assediado a funcionária. Desde então, José Mayer nunca mais teve papel na emissora e poucas vezes foi visto em público.

Me Too

Os casos de denúncia de assédio que mulheres vem sofrendo no mundo crescem dia após dia. NOs EUA, as atrizes americanas criaram o Movimento Me Too, que passou a denunciar publicamente todo o tipo de assédio sexual a que mulheres eram submetidas em Hollywood.

O Movimento foi suficiente para trazer à tona dezenas de casos de abuso e de causar um verdadeiro terremoto, manchando a carreira de muitos nomes do Cinema e da TV americana, levando, inclusive, alguns deles para a prisão.

Assédio

Em 2018, o Globoplay levou ao ar a série Assédio que tratava justamente deste tema. Baseado em fatos reais, a história acompanhou a vida do médico Roger Sadala, um renomado geneticista que foi acusado por dezenas de mulheres por assédio e estupro durante as consultas e cirurgias.

Com temática forte, a série contou com uma série de cenas que mostravam os casos sem nenhum pudor, o que acabou chocando boa parte da audiência e atraindo a atenção para os casos. Assédio foi escrita por Maria Camargo e teve a direção de Amora Mautner.

A série se baseou na história real de Roger Abdelmassih, preso por assédio e estupro. O caso ganhou notoriedade no Brasil porque ele era considerado celebridade e já havia participado de diversos programas de TV, incluindo o de Hebe Camargo, de quem era amigo pessoal.

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Análise: o fim de Segundo Sol

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Segundo Sol terminou na última sexta. Imagem: Reprodução

São várias as interpretações que se pode extrair de O Segundo Sol, clássica canção de Nando Reis, imortalizada na voz de Cássia Eller. Uma delas, a mais famosa, diz que buscar o seu segundo sol é ir atrás de uma nova chance, uma nova oportunidade de conseguir fazer o que, outrora, não foi feito. Passados 155 capítulos de Segundo Sol, pode-se afirmar que essa parece ter sido a “escolha” de interpretação do autor da novela, João Emanuel Carneiro, ao colocar a música no centro da obra, encerrada na sexta-feira. Segundo Sol tratou, prioritariamente, de recomeços e segundas chances.

Vendida como uma novela sobre uma falsa morte de um cantor, a propaganda mostrou-se enganosa. A trama, na verdade, girava em torno de Luzia. A marisqueira vivia pacificamente com seus dois filhos e sua irmã em Boiporã. Sua vida mudou completamente com a ida de Cacau, uma inspirada Fabíula Nascimento, para Salvador e a chegada de Beto Falcão, então Miguel, ao lugar, após forjar sua morte num acidente de avião. Os dois juntos conheceram o amor. E também tiveram que experimentar o ódio de Karola, guiada por Laureta, que fez de tudo para separá-los. Conseguiu. A primeira fase termina com a ida de Luzia pra Islândia. A segunda começa com a volta dela ao Brasil. A marisqueira veio buscar o seu segundo sol. Queria ser feliz de novo ao lado dos filhos. Tratada simplesmente como ‘burra’ ou ‘trouxa’, Luzia, é verdade, foi uma mocinha mais passional do que a Clara, de ‘O Outro Lado do Paraíso’ – a comparação mais direta que se pode fazer. O mote da história da então DJ não era voltar para buscar uma vingança. O que ela queria, e só isso, era reconstruir sua família despedaçada pela dupla de vilãs anos atrás.

Giovanna Antonelli desenvolveu mais um excelente trabalho, principalmente pela sua entrega na primeira fase, quando as atenções estavam completamente voltadas à sua personagem. Depois de uma criticada escalação (não só do ponto de vista racial, conste-se), a atriz mostrou que foi uma escolha acertada do autor, que bateu o pé para tê-la no posto de protagonista após as negativas de Taís Araújo e Camila Pitanga. Bom lembrar, voltando a falar sobre o trabalho de Giovanna, que a boa performance de maneira nenhuma se ateve à primeira leva de capítulos. A atriz emocionou em diversas oportunidades, principalmente no tocante aos filhos. Antonelli passou para a sua atuação toda a força dessa mulher na luta para reconquistar a família.

Na história de Luzia, ficou devendo, além da interminável quantidade de capítulos em que ela passou fugindo da polícia, o arco da vingança, que não serviu para nada. Justamente esse foi um dos grandes pontos negativos da novela. Ao chegar na marca do capítulo 100, esperava-se uma virada maior do que a que foi mostrada. Ainda que o autor tenha sido bem intencionado, ao dar, aí sim, um motivo para Luzia ir pra cima de Laureta e Karola _ afinal, do contrário, ela não teria paz _ a vingança não foi pra frente. Prendeu Laureta. Expôs Karola. Mas, poucos capítulos depois, com Laureta solta e Karola sendo Karola, para nada serviu essa virada. E a reta final provou que falta de história não era. Dulce, que roubou a cena desde que apareceu pela primeira vez, poderia ter entrado antes. A verdade sobre a verdadeira mãe de Valentim também poderia ter vindo à tona mais cedo. Bem como os motivos que levaram Laureta a suportar Karola por tanto tempo.

Falando na dupla, merecem, é claro, mais do que aplausos Adriana Esteves e Deborah Secco. As duas brilharam do começo ao fim e mostraram sintonia impecável na pele das combatentes que não podem se apaixonar porque têm que fechar negócio! E, à medida que foi ganhando espaço, Laureta mostrou que, bem como sua intérprete havia adiantado, no quesito vilania, Lauzinha era muito pior que Carminha. Por falar nisso, não dava pra sequer imaginar outra atriz vivendo esse papel que não Adriana. Não à toa, foi escrito especialmente para ela. Laureta foi o ponto alto da novela em todos os momentos e, por isso, foi a personagem com a pegada mais ‘JEC’ da produção (ao lado de Dulce).

Já Deborah Secco, injustamente criticada por alguns no começo, mostrou por que é um dos grandes nomes da TV brasileira. A entrega à Karola foi latente e emocionante. A cada cena, percebia-se como a atriz era grata pela personagem e como ela a dominou. Sua parceria com Danilo Mesquita, seu Rururuzinho, rendeu excelentes sequências, como a da morte da personagem. Antes disso, a cena em que ela corta os cabelos para se despir de uma antiga personalidade também merece destaque. Mas, ainda bem, Karola não foi uma personagem que mudou da água pro vinho com um corte de cabelo, ao contrário do que muitos precocemente acharam. A “viúva oficial de Beto Falcão” teve a chance de ter o segundo sol, mas recusou. Caiu na chantagem da mãe e morreu nos braços (e para salvar a vida) da única pessoa que verdadeiramente amou, da única pessoa que conseguia enxergar o amor vindo daquela mulher.

Por falar nele, Valentim, muito bem defendido por Danilo Mesquita, foi um dos melhores personagens já construídos pelo autor. Um adolescente que viveu uma vida de mentiras, foi enganado por todos, mas sempre quis compreender as pessoas, extrair e acreditar no melhor delas. Foi lindo ver o amadurecimento e o crescimento do “dimenorzinho” ao longo de todos os baques que ele sofreu. Junto com Rosa e Ícaro, porém, formou um triângulo amoroso que não deslanchou. A bem da verdade, no fim das contas, o melhor era que cada um seguisse a sua vida. O autor preferiu dar a Rosa o seu segundo sol. Uma pena que tarde demais, porque a redenção da personagem, que, até então, teve sua trajetória muito bem conduzida, poderia ter vindo antes. Nesse ponto é que começou a falhar a condução da ‘Rosa Murcha’. De ‘Murcha’, graças a Letícia Colin, a personagem não teve nada. Rosa foi mais um belíssimo trabalho da atriz, depois da excepcional Leopoldina, de Novo Mundo. Tornou-se uma das personagens mais comentadas da novela e que, ao longo da trama, mais despertou os mais diversos sentimentos do telespectador.

Na outra ponta do triângulo, Chay Suede entregou o seu melhor trabalho até aqui. Não por acaso, o ator foi uma das personalidades mais badaladas do ano. Reconhecimento pelo trabalho bem feito. Quem sobrou nessa história acabou sendo a irmã de seu personagem, Manu. Apesar de uma performance digna de Luisa Arraes, a personagem não aconteceu. Quase ninguém se importava com a estudante de medicina. Pra piorar, ela ainda foi responsável por um dos arcos mais ridículos da novela, o do falso sequestro pela família de Narciso.

Na interminável busca pelos ‘segundos sóis’, algumas histórias deixaram a desejar. Caso de Rochelle, muito bem defendida por Giovanna Lancellotti, em seu melhor papel na TV até agora, mostrando que a atriz está preparada para voos maiores há algum tempo. A patricinha foi, ao mesmo tempo, punida e curada graças à doença. É um velho clichê de novela, mas que precisa ser repensado. Uma doença como essa não vem para punir ninguém, ao mesmo tempo que, ainda que faça a pessoa repensar em muitos erros de sua vida, não apaga o histórico maléfico dela, no caso de Rochelle, até mesmo racista. Também ficou difícil de engolir a redenção de Severo. Ainda que tenha sido punido algumas vezes, vale lembrar que se tratava de uma pessoa que foi capaz, inclusive, de abusar de uma menina de 15 anos. Isso sem falar de toda a questão com o seu filho Roberval.

Roberval, aliás, foi um dos personagens que mais despertou paixão. E ódio. Um típico personagem cheio de dubiedade de João Emanuel Carneiro. Unânime na trajetória dele só o episódio do casamento desfeito no altar. A discussão sobre a violência sofrida por Cacau, naquele momento, deveria ir pra frente. Ainda que ele tenha mostrado arrependimento, não entrar no mérito da problemática foi bola fora do roteiro. Aliás, há que se elogiar toda a entrega de todos os atores desse núcleo da mansão dos Athayde. Mesmo com o brilho perdido no mês final – o assalto interminável foi um ponto baixíssimo de toda a novela – não há se apagar o bom trabalho do autor com todos os personagens. Eles roubaram a cena por diversas vezes. Palmas, então, para uma sensacional Cláudia di Moura, para um expressivo Caco Ciocler e para uma inspirada Maria Luisa Mendonça, enfim num tipo diferente do que ela estava habituada a fazer.

Uma pena, porém, que não se deu o mesmo tratamento ao núcleo do Casarão, onde tipos interessantes ficaram deixados de lado. Mesmo a questão sobre a ocupação não foi pra frente, visto se tratar de um tema atual que poderia render ótimas discussões. Teria sido receio do autor em tocar nessa ferida?

Por falar em tocar em feridas, não foi dessa vez que Carneiro acertou numa trama LGBT. Conhecido por não tratar satisfatoriamente do assunto, a bem da verdade, com Maura e Selma tendo um final feliz juntas, ele até tentou se redimir, mas passou longe de ser o suficiente. O “triângulo amoroso” não propiciou uma abordagem positiva sobre a bissexualidade e nem sobre o poliamor. Quem sabe na próxima. Afinal, até trazer uma trama digna como a da Nice, o autor teve algumas experiências não tão bem sucedidas. A trajetória da personagem de Kelzy Ecard, perfeita na sua estreia na TV, foi bem conduzida do começo ao fim. Por sinal, Agenor foi a oportunidade de Roberto Bomfim emergir novamente, mostrando por que é um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira. Uma pena que seu nome, no geral, não seja tão valorizado quanto merece.

Já na trama, não tão bem valorizados quanto mereciam tivemos, por exemplo, Roberta Rodrigues. Sempre que pôde, a atriz brilhou, mas sua Doralice merecia ter tido suas tramas melhor exploradas: a questão do ciúmes, lá no começo, e o fato de não querer herdar o terreiro do pai, Didico, interpretado por um João Acaiabe que mal apareceu. Uma pena. Francisco Cuoco, com seu Nestor, também pode se encaixar nessa categoria, mas, há de se lembrar, o ator está com problemas de saúde e locomoção, o que talvez explique por que seu personagem não aparecia tanto. No que tange à trama envolvendo Naná e Dodô, até bom. Essa relação da ex-guerrilheira com seus dois maridos também não caiu nas graças de ninguém.

Na casa da Família Falcão, tivemos Clovinho e Gorete (e Badu, é claro) brilhando por um bom tempo. Mas a trama dos dois, é verdade, perdeu força ao cair na repetição. E quando Tomé, um apático Plabo Morais, entrou na jogada, então, aí é que não deu pra engolir. Já Ionan foi muito bem defendido por Armando Babaioff. O policial bobão, que foi passado pra trás até por Valentim e Ícaro, não poderia ter intérprete melhor. Além de tudo, mostrou que o ator está mais do que preparado para maiores papéis. Quem também deu show, o que não é novidade, foi Vladimir Brichta. Remy, mesmo sendo um tipo cheio de defeitos, foi um dos personagens mais queridos da novela. Não à toa. O texto inspirado do autor ajudou, é claro, mas sem um intérprete à altura poderia não ter tido o mesmo sucesso. Após um longo tempo nas séries, é bom ver que os autores de novela estão valorizando o ator da forma como ele merece.

 

 

 

 

 

 

Por fim, mas não menos importante: Beto Falcão. Trata-se de mais um ótimo trabalho de Emílio Dantas, mas poderia ter tido mais espaço na trama, o que parece até uma contradição já que se trata do protagonista da novela. Perdeu força, ao longo dos capítulos, a storyline do cantor que fingiu estar morto para ficar famoso, e o lado musical de Emílio mal foi explorado. Uma lástima. Todo esse folclore em torno de astros que forjam a própria morte para voltar a hitar habita o imaginário de milhares de pessoas. Quando virou novela, não aconteceu da forma como se esperava. Nem a revelação da verdade causou tanto impacto, apesar de ter propiciado um dos melhores capítulos da novela.

A direção de Dennis Carvalho e Maria de Médicis, que começou muito boa, entrou no piloto automático. Erros de continuidade aqui e ali são normais em qualquer novela, porém, nesse caso, passaram um pouco do ponto. Faltou também impacto a muitas das cenas, fazendo com que muitas sequências importantes passassem em branco e sem o brilho merecido. Às vezes, é bem verdade, não por culpa só da direção, mas também do roteiro, como no caso da noite de terror promovida por Laureta e da revelação à Nice de que Maura estava tendo um caso com Selma. Tirando esses pontos, elogios merecidos aos diretores por conseguirem extrair ótimos desempenhos de todo o elenco, que foi o ponto alto da novela. Atores entrosados, com química, fizeram deste um dos melhores elencos dos últimos anos. Até por isso, considero injusto apontar a direção como um dos defeitos da novela, ainda que tenha deixado a desejar em muitos momentos. Talvez, os diretores e o autor tenham acordado que era melhor focar na emoção e não nas reviravoltas. E emoção foi o que não faltou ao longo dos capítulos.

Segundo Sol, por que não?, foi também uma chance de João Emanuel dar a volta por cima depois do fracasso de A Regra do Jogo, que enfrentou não só problemas gravíssimos em audiência, mas conflitos internos entre direção e elenco. Foi uma novela mais leve, que abusou dos clichês e de recursos novelísticos mais do que nas anteriores de Carneiro. Vimos um roteiro que, ainda assim, não deixou de lado os personagens humanos e as relações conflituosas do nosso mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo Sol foi uma novela, sim, sobre segundas chances e recomeços. Mas foi também uma novela sobre os mais variados tipos de família. Famílias unidas pelo sangue, pela conveniência, pela necessidade, pela amizade ou por qualquer outro laço. Não foi uma trama perfeita, até porque tramas perfeitas não existem, e sai de cena com um gostinho quase amargo de que poderia ter sido melhor e rendido mais. Nada que seja o suficiente para ofuscar o seu brilho. Para o seu público fiel, que a acompanhou do seu nascer até o momento em que ela se pôs, deixará saudades.

Pós-créditos:

– É clichê, eu sei, mas fez falta um “quem matou?” para ser o plot central desse último capítulo. Apesar de ter rendido boas cenas, o sequestro de Miguelzinho foi um chamariz muito fraco para o desfecho de uma trama.
– A última cena da Família Falcão em cima do trio merecia ter sido maior. Depois de tudo o que eles sofreram, o público merecia ter tido mais uns minutos para apreciar a alegria e a beleza de todos ali envolvidos.
– Laureta foi uma das personagens mais icônicas de João Emanuel Carneiro, nunca é demais repetir. O seu desfecho foi uma grande brincadeira com o cenário político atual e críticas assim são mais do que bem-vindas, são necessárias.
– A cena de Clovinho e Gorete deveria ter vindo após o encerramento do capítulo. No sentido literal. Congelava em Luzia e Beto em cima do trio, créditos finais, aí então, a cena dos dois. Bem pensada, mas mal colocada dentro da edição do capítulo.
– Pra quem gosta de interpretações que fogem do lugar comum, pode-se interpretar a sequência final de cenas como sendo uma crítica ao Brasil no momento. Uma bandida se candidatando a política, prometendo ajudar o povo como uma mãe, enquanto o país está um verdadeiro barco à deriva, sem perspectivas, depositando nas crianças as esperanças para que o FIM não chegue de vez. E o povo? Nunca perde a vontade de pular carnaval!

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